terça-feira, 22 de janeiro de 2008

"Esta consciência, que faz de todos nós covardes" William Shakespeare

Parece-me que depois de alguma pesquisa, do que é isto de "arriscar", me rendo às palavras de William Skakespeare: "As nossas dúvidas são traidoras e fazem-nos perder o que, com frequência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar."

Este é de facto o grande senão daquilo a que chamamos o racionalizar o óbvio, ou o dar sentido a algo que em si é mais profundo, como os nossos sentidos.

Ao longo dos tempos, cada um de nós tem por teimosia, ou simplesmente por medo, recuado em decisões e em escolhas. Passamos a vida a pensar se isto ou aquilo é correcto, se este ou aquele passo nos dará uma melhor condição (pessoal ou profissional), se aquela expressão deveria ser usada ou não.

Escondemo-nos, não raras vezes, por detrás das usuais convenções e descrições sociais, e por detrás do aclamado "políticamente correcto". Na verdade, talvez não se trate de esconder, mas sim de pedir asilo e refúgio, a estes parâmetros já tão bem definidos e que não ousamos questionar, para, até nós próprios, não ficarmos chocados com a conclusão.

É certo que temos que obedecer a regras. Faz parte de uma sociedade democrática, faz, inclusivamente, parte da forma como nos compomos e faz parte da democracia que temos que ter presente nas nossas relações com o outro. E é precisamente do "outro" que me surgem as reticências.
E se nós até nos aventurarmos de cabeça, será que o outro estará lá para nos receber?! A resposta a isto é: Depende... Pode ser que sim, e pode ser que não.
Mas valerá a pena, mesmo assim, intentar para o incerto? A resposta a isto, também podería ser Depende. Mas julgo que aí não estariamos muito cientes do passo seguinte.
Se o resultado for em consonância com as nossas expectativas, óptimo. Se, pelo contrário, for desastroso, nada como, depois de um curativo, levantar a cabeça e seguir em frente, não trazendo na bagagem quaisquer tipo de interrogações inconvenientes. Se mesmo assim persistir a dúvida do porque é que não deu certo, que tal simplificar a coisa, e interiorizar que não deu certo porque o "outro" não quis!!!

"É enfrentando as dificuldades que você fica forte. É superando seus limites que você cresce. É resolvendo problemas que você desenvolve a maturidade. É desafiando o perigo que você descobre a coragem. Arrisque e descobrirá como as pessoas crescem quando exigem mais de si próprias.” Roberto Shinyashiki

Tudo isto faz-me mesmo muito sentido. A vida não é assim tão complicada...
Biel Migotto disse qualquer coisa como isto: "(...) Se viver é um risco que seja um risco lembrado, porque quem vive sem riscos só lamenta o passado e esquece-se de como é bom arriscar, tentar, mudar, enfim, viver, viver mudando o destino, as horas e os pensamentos."

Arriscar é tentar mudar para melhor. E que coisa melhor do que querermos ser mais felizes, mesmo quando aquilo em que arriscamos é para o benefício de terceiros?! O arriscar desta maneira, é também o lembrarmo-nos que a nossa existência tem um propósito muito maior.

"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento". Clarice Lispector

2 comentários:

efrancarvalho disse...

Nossa, profundo...
realmente o que eu precisava ler...
Parabens!!!

Anónimo disse...

OLOKO BICHO , BRINCADEIRA MEU. GRANDE SHAKE SPIRR