Se há coisa que me atormenta são so "quases" da vida.
Quase que seguimos aquela profissão que tanto queriamos; quase que conhecemos aquelas pessoas que poderiam fazer toda a diferença num qualquer momento; quase que fizemos aquela viagem; quase que comprámos uma qualquer coisa banal... Quase, quase, quase...
Sempre produtos inacabados, sempre uma má gestão das expectativas. Quando procurei saber melhor o que é isso da "Gestão de Expectativas", sou confrontada com frases elaboradas, do tipo "um nível inadequado de expectativas (...) pode trazer graves consequências nos objectivos".
Tentando, levianamente interpretar o que isto pode querer dizer, num contexto pessoal, é aplicando ao ditado popular: "quanto mais alto se sobe, maior é a queda"!
Mas aborrece-me que linearmnte, eu faça este tipo de leitura.
Não me parece nada bem, que em última instância, eu me prefira sentar à luz do "não-se-passa-nada", para não sofrer as consequências; ao invés do subir "os" degrauzinhos, porque acredito que vou chegar ao topo - e depois, porque o cansaço é muito, a caminhada ficar a meio. Dizendo com um ar, meio desiludido: "Estava quase..."
Estes degraus, não são mais do que os passos que nós damos na vida para irmos alcançando as nossas pequenas vitórias. Se há uns que nos passam despercebidos, outros, porém, parecem não ter fim. E a esses costumamos dar um valor imenso, e esquecemos que aqueles que até não foram os que mais nos custaram, provavelmente são aqueles que nos ajudam a manter o equilíbio e a estabilidade necessária para continuar a incursão.
Mas mesmo assim, que maçada que é quando ficamos no impasse.
Parece-me que faz parte da nossa natureza lutarmos sempre por qualquer coisa, mesmo que dela não saibamos o seu retorno, ou lhe tenhamos atribuído o seu real valor. Lutamos, porque queremos que o nosso Ego fique mais forte, e quando chega a vitória, como que uma gota de soberba, brindamos aquele sucesso.
Faz sentido! Sobretudo quando tem a ver com aquilo que nos faz feliz. Mas perde significado, quando afinal não racionalizamos assim tanto sobre aquela meta a atingir, e ao invés de fazer parte de nós, passa a fazer parte de um capricho camuflado.
Estes pequenos goals, às vezes estão tão enraizados na nossa maneira de estar na vida, que nem nos apercebemos o quanto estes nos podem ser prejudiciais. Por exemplo, quando pertencemos ao grupo de pessoas que só pensa em ter aquele carro XPTO e aquele relógio de elite... Não confundir com o q.b. de ambição necessária para melhorarmos a qualidade da nossa existência, enquanto por cá andarmos... Mas tudo aquilo que é feito com desproporção é de se questionar.
Também eu vou sendo sugada por algumas armadilhas que fazem com que o meu comportamento seja muitas vezes previsível. Faço tão mal a minha "gestão de expectativas" que acabo por me atropelar sem qualquer contenção. E depois não admira, que tenha uma infidável lista de "quases". É verdade, que alguns deles, como em tudo o resto, são circunstanciais, mas há que admiti-lo: outros tantos são da minha inteira responsabilidade.
Por isso, até costumo dizer que tenho bom perder. E acho que tenho mesmo... embora me doa até ao mais profundo oceano, quando a minha batalha, que mal começou, ficou a meio... ficou no quase.
Resta assim, tentar ler os sinais que nos vão sendo dados e melhorar a forma de conhecermos as nossas "motivações para que alguns efeitos conceptuais menos realistas não se sobreponham, criando expectativas que podem não favorecer as estratégias" que temos definidas para nos presentearmos com algo que nos vai encher a alma.
"A atitude mais realista conterá, certamente, uma boa dose de pensamento (..) e a devida precaução (...)" mesmo que esta seja baseada "unicamente em ideais, ou ancoradas num qualquer sonho de infância.
Enfim, o "quase" é por isso muito autoritário, mas se conseguirmos tirar partido daquilo que mesmo assim se conseguiu, já valeu a pena!
domingo, 20 de janeiro de 2008
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