De todo quero que estes apontamentos sejam retratos fieis da minha vida, mas não posso deixar de partilhar uma experiência pela qual passei, e que, numa outra conversa de café, seria praticamente impossível de eu me projectar nela.
Sempre me fez alguma confusão, aquelas pessoas que recorrem à net, em busca de Sexo. Não que eu seja daquelas do tipo "falsas puritanas", mas nunca equacionei que a net podería trazer alguma vantagem sobre esta matéria.
A procura de temas relacionados com sexo, pode ser em si muito entusiasmante. Quantas vezes já não dei por mim a questionar alguns conceitos, ou mesmo a ter dúvidas existenciais que facilmente conseguia aceder a uma qualquer resposta. Tantas outras, que só por uma curiosidade mórbida me perco em alguns blogues e invado a privacidade dos outros, bebendo algumas das suas mensagens.
No entanto, não é a isso que me refiro. Sem qualquer preconceito, falo daqueles, que procuram sites porno e de sexo explícito. Falo sobretudo daqueles que se disponibilizam a fazer sexo para uma webcam, ou simplesmente se querem satisfazer com uma conversa mais libidinosa.
O que é que leva alguns de nós a recorrer a este tipo de estímulo? Será que a nossa vida, em pleno século XXI, é tão preenchida e com um tão ritmo alucinante, que apenas nos permite a disfrutar do nosso corpo em tempo contado?
Será que a busca do prazer fácil, mais do que isso é um prazer rápido, como que uma tarefa que temos agendada para aquela hora em tal dia?
Será que não nos podemos permitir a degustar do toque com os outros, e temos que nos salvaguardar através da nossa capacidade de conhecermos o nosso corpo?
Será que já não confiamos a nossa intimidade à partilha de um espaço comum com alguém?
Ainda que me sobressaltem alguns porquês, e que admita que a resposta possa ser apenas a simplicidade de um "porque sim", não me contento com tão pouco. Podia até ter feito uma pesquisa mais aprofundada sobre o tema, questionando amigos, ou meros cibernautas, ou mesmo ter tentando a sorte num desses locais virtuais, para ver como realmente funciona. Sim, porque confesso: não faço a menor ideia quais os requisitos... se é que os há...
Fui mais longe... Sem querer, e sem sequer permeditar, estava eu aqui no MSN à conversa com um amigo especial, quando a troca de palavras passou de meras insinuações, a altos momentos de verdadeiro êxtase.
Se por um momento, podia parecer estranho, a verdade é que à medida que teclavamos, tornava-se cada vez mais imprescindível fazer com que o outro absorvesse todas as alterações químicas que se íam dando.
O meu coração disparou, a minha respiração estava ofegante, e o meu ritmo a escrever, de forma totalmente ambivalente, decresceu... A nossa fantasia estava a funcionar em perfeita sintonia, e as descrições eram verdadeiramente implacáveis na forma comos nos atingiam. Era altamente envolvente... Tudo o que estava à volta deixou de importar. O que prevalecia era a ansiedade e o desejo de ver reflectido no ecrãn as sensações, as propostas, as provocações, os delírios.
Foram longos minutos de pura poesia. Qual Bocage...
Sentir o outro de forma tão distante, mas ao mesmo tempo tão intensa, foi de facto inebriante. Sentia-me embriagada e tentada a manter o nível. E posso garantir, no que a mim diz respeito, foi até ao limite... apenas por ler e por pôr toda a minha essência e imaginação a funcionar...
Foram criados cenários muito pouco idílicos, mas eficazes, que me faziam projectar até ele. E ele lá, a teclar, proferindo promessas e intenções. Era a loucura! Eu sentia todo o meu corpo a tremer e contorcia-me no prazer provocado pela dissertação que ía escrevendo e que alguém reescrevia e corrigia em cima.
Longos minutos, apenas a usufruir daquele tempo para mim... a gostar do egoísmo que se apoderava dos meus sentidos, mas ao mesmo tempo a partilhá-lo com alguém; e pulsar de desejo por ele. Esperar que todo este enredo o tivesse a afectar de forma absolutamente arrebatadora, da mesma maneira que estava a acontecer comigo.
Não sei, e nunca saberei (com a certeza que um momento in loco o permite) se o balanço dele foi tão positivo como o meu. Mas, confesso que não me preocupo com isso. Os dois estavamos lá, e, apesar da distância, aquele momento pertenceu-nos e eu fui só dele!
Por isso, Sexo virtual, porque não? Desde que não seja apenas a nossa forma de nos relacionarmos com o outro e a forma de nos conseguirmos presentear com minutos de prazer, há que aproveitar o que as novas tecnologias nos oferecem e disfrutar destes momentos únicos, para mais tarde recordar.
Posso garantir, que adorei a experiência, e que fez com que no dia seguinte eu continuasse com um sorriso nos lábios!!!!
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
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