Também tenho o meu lado negro da Lua.
Deixei-me envolver numa história menos aceite... Envolvi-me com alguém que já tinha um compromisso. Fui a outra... e fui contra todos os meus princípios.
Afinal, lesamos terceiros que, muitas vezes, desconhecem por completo a "nossa" existência.
Fui levada pelas emoções e por toda a envolvência que foi crescendo ao longo destes meses. Sabia, à partida, que não passaria de uma aventura, e por isso, mais condenável é a minha atitude. Sinto-me culpada e não vejo a minha absolvição.
Sou a ré deste enredo, que mesmo não se tratando de culpa, é um mau-estar grande partilhado com ele...
Ontem tivemos uma noite inesquecível. Só nós contamos. O nosso egoísmo abraçou-nos e deambulou connosco nas horas em que nos dávamos.
Hoje, a dor da traição caiu sobre as nossas consciências. e afastou-nos para sempre. Eu sei que esse seria o caminho esperado, mas quando confrontada com a evidência, quis fugir e por momentos adormecer deste emaranhado em que se tornou a minha vida.
Como posso esquecer os "ontens" acumulados, quando hoje ainda o meu corpo reclama a presença dele? É mais do que atracção de uma "one night stand", é mais do que sexo fortuito, é mais do que um momento de prazer. Para mim é pele, é desejo, é intensidade, é paixão, é até admiração...
O meu corpo ainda hoje sente os efeitos da nossa noite. Tenho as dores consequentes de movimentos compassados e harmoniosos, que nos fizeram transpôr muito para além do instante. Tenho as dores da tensão que só agora parece querer sumir... e a acrescentar tenho a dor da alma, fruto de uma despedida, que eu desconhecia que fosse.
Não consigo distanciar-me o suficiente para perceber que um Adeus tem que ser acompanhado de uma mudança radical, com a desculpa de que é melhor para os dois... atrevo-me então a dizer, que nesse pressuposto será melhor para os três...
Não devia ter deixado isto acontecer. Não devia ter aceite este papel, não devia deixar que ele sofresse. Sim, porque ele está a sofrer, e eu não suporto vê-lo assim. Envergonhado consigo mesmo.
Foi horrível ouvi-lo dizer que lhe apetecia chorar...
Não devia ter sido cúmplice desta traição, porque mesmo não a conhecendo ela não merece. Ninguém merece...
Julgava eu que estava tudo controlado, que eu iria conseguir sobreviver a isto, sem mágoas e sem complexos. Estava tão enganada!!! Nunca controlei nada. Brinquei com os meus sentimentos, e fui fortemente surpreendida. Deixá-lo ir é a solução, mas neste momento, em que me encontro vazia, quem me dera não ser essa a opção.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
O que fica depois do Amor
O que é que fica depois do Amor?
Fica a amizade; o rancor; a tristeza; o vazio; o ódio; a lembrança terna; as memórias vãs; a descrença; a força; a sabedoria...?!
Pode ficar um sem número de sentimentos isolados, ou simplesmente misturados, como que a uma receita cujos ingredientes se vão acumulando, e algumas vezes nem percebemos o seu paladar. Tentando distinguir se estes ingredientes não serão afinal apenas distinguidos em momentos diferentes.
E do sabor, pode ficar o amargo de uma vitória inesperada ou o doce consolo de uma despedida.
Depois do Amor ficamos assim, naufragados em inúmeras perplexidades. Saber que se trata de um fim, mas que este é o pronúncio de algo que ainda está para vir. Algo que se anseia, colhendo o que de melhor temos, o que de melhor somos. Algo em que depositamos as nossas esperanças, a nossa garra, a nossa fome de voltar a amar.
Depois do Amor, queremos mais. Mesmo que não o entendamos dessa maneira, queremos voltar a cair, voltar a sorrir, voltar a beber daqueles lábios que nos transportam para lá da sombra; queremos voltar a mergulhar naquele olhar que é só nosso; queremos pura e simplesmente perdermo-nos naqueles braços que nos sufocam e nos amarrotam o corpo, por entre suor e força da paixão; queremos partilhar aquele silêncio que nos intimida e nos torna únicos; queremos dissolver os sentimentos em lágrimas e gritos de alegria; queremos mostrarmo-nos nús de preconceitos e de mitos; queremo-nos despir de máscaras que nos perseguem na rotina; queremos ser nós próprios e que olhem para nós como especiais, nem que por breves segundos; queremos gargalhar e sorrir de desejo; queremos segredar as nossas fantasias; queremos rebolar na montanha russa dos sentidos; queremos isto tudo, e tantas, tantas outras coisas... mesmo que o desfecho seja penoso, doloroso... sabemos que há solução...
Depois do Amor, como posso virar costas a isto tudo?! Mesmo sobressaltada entre interrogações e desespero de ausência de respostas, com medo de não saber o que é o devir, não quero nem posso desistir daquilo que me prende a toda esta encenação que não é mais do que uma página da minha vida. Quero escrever e reescrever mil vezes que depois do Amor, há sempre outro Amor para ser espelhado em mim.
Amo o que foi e hei-de amar o que representou para mim.
Mas está na hora de virar e perceber qual o caminho a percorrer neste labirinto de opções que não se esgotam.
Quero perder-me novamente no aconchego de um mermúrio dito ao ouvido...
Fica a amizade; o rancor; a tristeza; o vazio; o ódio; a lembrança terna; as memórias vãs; a descrença; a força; a sabedoria...?!
Pode ficar um sem número de sentimentos isolados, ou simplesmente misturados, como que a uma receita cujos ingredientes se vão acumulando, e algumas vezes nem percebemos o seu paladar. Tentando distinguir se estes ingredientes não serão afinal apenas distinguidos em momentos diferentes.
E do sabor, pode ficar o amargo de uma vitória inesperada ou o doce consolo de uma despedida.
Depois do Amor ficamos assim, naufragados em inúmeras perplexidades. Saber que se trata de um fim, mas que este é o pronúncio de algo que ainda está para vir. Algo que se anseia, colhendo o que de melhor temos, o que de melhor somos. Algo em que depositamos as nossas esperanças, a nossa garra, a nossa fome de voltar a amar.
Depois do Amor, queremos mais. Mesmo que não o entendamos dessa maneira, queremos voltar a cair, voltar a sorrir, voltar a beber daqueles lábios que nos transportam para lá da sombra; queremos voltar a mergulhar naquele olhar que é só nosso; queremos pura e simplesmente perdermo-nos naqueles braços que nos sufocam e nos amarrotam o corpo, por entre suor e força da paixão; queremos partilhar aquele silêncio que nos intimida e nos torna únicos; queremos dissolver os sentimentos em lágrimas e gritos de alegria; queremos mostrarmo-nos nús de preconceitos e de mitos; queremo-nos despir de máscaras que nos perseguem na rotina; queremos ser nós próprios e que olhem para nós como especiais, nem que por breves segundos; queremos gargalhar e sorrir de desejo; queremos segredar as nossas fantasias; queremos rebolar na montanha russa dos sentidos; queremos isto tudo, e tantas, tantas outras coisas... mesmo que o desfecho seja penoso, doloroso... sabemos que há solução...
Depois do Amor, como posso virar costas a isto tudo?! Mesmo sobressaltada entre interrogações e desespero de ausência de respostas, com medo de não saber o que é o devir, não quero nem posso desistir daquilo que me prende a toda esta encenação que não é mais do que uma página da minha vida. Quero escrever e reescrever mil vezes que depois do Amor, há sempre outro Amor para ser espelhado em mim.
Amo o que foi e hei-de amar o que representou para mim.
Mas está na hora de virar e perceber qual o caminho a percorrer neste labirinto de opções que não se esgotam.
Quero perder-me novamente no aconchego de um mermúrio dito ao ouvido...
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Beleza a quanto obrigas
Porque é tão importante a beleza no seu sentido mais efémero? Porque é que nos deixamos mergulhar nas aparências, e só depois nos preocupamos em agrupar as qualidades por categorias, mais ou menos elaboradas?
Dou por mim a pensar que aspecto gostaria de ter. Porque não sou mais alta, mais loura, com mais curvas? Porque não tenho os olhos azuis, porque é que as minhas pernas não fazem inveja à "Tina Turner", porque é que a minha boca não se assemelha à da Angelina Jolie, e o meu corpo não é o da Giselle Bunchen?
Vivemos muito dependentes daquilo que parecemos, mais do que aquilo que somos.
Eu própria, rendo-me às evidências. Se conheço alguém pela primeira vez, que não num contexto profissional, reparo em tudo. Desde o sapatinho até ao penteado. E quando a pessoa até é simpática, óptimo! Mas o primeiro impacto é a sua presença... e depois o que vier mais tarde, desde que seja bom, "é lucro".
Embora não seja éticamente correcto, é isso que acontece. Está provado cientificamente que o aspecto conta, e que é dele que nascem as primeiras relações interpessoais. Inclusivamente, num estudo feito com bébes, onde lhes foram mostradas fotos com pessoas ditas "bonitas" e pessoas, cujo esteriótipo as conota como "feias", estes revelaram reacções menos positivas quando apresentados ao segundo estímulo (chorar, desviar o olhar...).
Será que desde sempre estamos "programados" a descriminar quem não reúne todos os requisitos da beleza "normativa"?
Não sou técnica em genética, nem nada que se pareça, mas poderá estar o resultado deste estudo (dos bébes) directa ou indirectamente ligado ao que definimos como os bons genes e os maus genes? Sabemos que no mundo animal, o pavão com a melhor penugem é o escolhido pelas fêmeas para acasalar, e assim por diante...
Andamos nós à procura daquele "pavão" porque acreditamos que será melhor para a espécie?
Não me parece. Até porque nem todos gostamos do "amarelo". Por isso a diversidade é tanta que é possível nos permitirmos a ter um leque opcional muitíssimo vasto. E o ser normal nos dias de hoje, pode não querer dizer nada... pode apenas ser um passo para nos dirigirmos a um spa ou a uma clínica e pedir que nos façam um milagre e nos transformem num ícone de atracção. Mas ninguém nos pode garantir que será isso que fará de nós pessoas mais felizes.
Dou por mim a pensar que aspecto gostaria de ter. Porque não sou mais alta, mais loura, com mais curvas? Porque não tenho os olhos azuis, porque é que as minhas pernas não fazem inveja à "Tina Turner", porque é que a minha boca não se assemelha à da Angelina Jolie, e o meu corpo não é o da Giselle Bunchen?
Vivemos muito dependentes daquilo que parecemos, mais do que aquilo que somos.
Eu própria, rendo-me às evidências. Se conheço alguém pela primeira vez, que não num contexto profissional, reparo em tudo. Desde o sapatinho até ao penteado. E quando a pessoa até é simpática, óptimo! Mas o primeiro impacto é a sua presença... e depois o que vier mais tarde, desde que seja bom, "é lucro".
Embora não seja éticamente correcto, é isso que acontece. Está provado cientificamente que o aspecto conta, e que é dele que nascem as primeiras relações interpessoais. Inclusivamente, num estudo feito com bébes, onde lhes foram mostradas fotos com pessoas ditas "bonitas" e pessoas, cujo esteriótipo as conota como "feias", estes revelaram reacções menos positivas quando apresentados ao segundo estímulo (chorar, desviar o olhar...).
Será que desde sempre estamos "programados" a descriminar quem não reúne todos os requisitos da beleza "normativa"?
Não sou técnica em genética, nem nada que se pareça, mas poderá estar o resultado deste estudo (dos bébes) directa ou indirectamente ligado ao que definimos como os bons genes e os maus genes? Sabemos que no mundo animal, o pavão com a melhor penugem é o escolhido pelas fêmeas para acasalar, e assim por diante...
Andamos nós à procura daquele "pavão" porque acreditamos que será melhor para a espécie?
Não me parece. Até porque nem todos gostamos do "amarelo". Por isso a diversidade é tanta que é possível nos permitirmos a ter um leque opcional muitíssimo vasto. E o ser normal nos dias de hoje, pode não querer dizer nada... pode apenas ser um passo para nos dirigirmos a um spa ou a uma clínica e pedir que nos façam um milagre e nos transformem num ícone de atracção. Mas ninguém nos pode garantir que será isso que fará de nós pessoas mais felizes.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Dia dos "Namorados" e dos "Encalhados"
Fui à procura de como é que o "Dia dos Namorados" surgiu, e facilmente encontrei na Wikipédia a seguinte definição:
"São Valentim ou Saint Valentinus é um santo católico.
Durante o governo do imperador Claudius II, este proibiu a realização de casamentos no seu reino, com o objectivo de formar um grande e poderoso exército. Claudius acreditava que se os jovens não tivessem família, se alistariam com maior facilidade.
No entanto, um bispo romano continuou a celebrar casamentos, mesmo com a proibição do imperador. O seu nome era Valentine e as cerimónias eram realizadas em segredo. A prática foi descoberta e Valentim foi preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens jogavam flores e bilhetes dizendo que ainda acreditavam no amor. Entre as pessoas, que jogaram mensagens ao bispo, estava uma jovem cega: Asterius, filha do carcereiro, e a qual conseguiu a permissão do pai para visitar Valentine. Os dois acabaram por se apaixonar e milagrosamente Asterius recuperou a visão.
(Valentine foi decapitado em 14 de Fevereiro de 270 d.C.)."
Não obstante toda esta lenda, e quer se acredite ou não, é uma história que nos faz viajar no tempo e quem sabe transportar-nos até à importância de celebrarmos o Amor.
Mas aos dias de hoje - não que o S. Valentim esteja em desuso - cada vez mais é uma obrigação, que passa não raras vezes pelo consumismo barato e sem intenção. Arrisco-me mesmo a dizer, que se tornou absolutamente piroso namorar neste dia. Nunca o comemorei como se fosse o objectivo único.
Talvez por isso não o saiba apreciar com a mesma vivacidade que alguns dos meus amigos o revelam. Embora, há precisamente 1 ano, me tenha sido oferecido nesta data uma pulseira exactamente igual à do meu namorado, para assim firmarmos perante os demais que nos pertenciamos (feita por ele... sujeitou-se a que eu tivesse brincado com a sua intenção menos viril...) e uma viagem a Paris.
Confesso, que ao fim de um a dois meses a pulseira ficou presa algures e partiu-se e a viagem a Paris, ficou para outra altura... O que contou foi mesmo a intenção, mas acreditem que teria tido exactamente o mesmo valor se os presentes me tivessem sido dados num outro dia qualquer. Ele foi um amor... mas não por ser o dia dos namorados...
Numa relação, e como habitualmente me habituei a projectar em alguns sensos comuns, faz-me sentido que a tratemos como a uma planta que precisa de ser regada. E portanto, que não seja apenas num único dia do Ano que nos lembremos que a nossa cara-metade existe: "E já agora deixa cá comprar um "bonbonzito" para a animar...".
Que estes momentos sejam brindados, não direi todos os dias, mas com a frequência suficiente para que nos satisfaça, e que quem nos ama sinta (de verdade) que vale a pena.
Hoje, cheguei mesmo a reparar que havia quem corresse para as lojas, ou abdicasse do almoço com os seus amigos, para ir comprar o presente que assinala o dia. Na minha humilde, ou mesmo pretenciosa, opinião prefiro 1000 vezes preparar um jantar trés chic (sim, porque os restaurantes neste dia estão um horror) e uma noite que seja inesquecível, e repetir vezes sem conta estes delírios, para assim ir apimentando cada vez mais o estarmos juntos.
Na outra face da moeda, este dia passou também a ser dedicado aos "encalhados". Nos tempos que correm, e com a vida agitada de um Sec. XXI quase que "inesperado", em que vivemos muito centrados nas nossas carreiras, nos amigos, na casa nova, no cão, nas viagens... e pouco tempo temos a dedicar a uma relação, ou porque ainda não encontramos quem nos faça o clic, ou simplesmente não temos jeito para a coisa, ou mesmo porque não dá, há uma série de preconceitos ainda direccionados para quem não tem "namorado/a", "noivo/a", "marido/mulher".
- "Então o que é que vais fazer hoje?"
- "É um dia chato, não é? Ficas bem, hoje à noite?"
Os "encalhados" são bombardeados com perguntas indiscretas, mas ao mesmo tempo absolutamente inadequadas e despropositadas. Não admira, que quando fazemos uma ligeira pesquisa na Net, haja um sem número de blogs, sites sobre esta "classe". Vi inclusivamente ontem no jornal um anúncio de um restaurante que fazia um programa de jantar e animação para o grupo de "encalhados".
Não me parece mal que já haja este tipo de iniciativas, até para desdramatizar o facto de haver solteiros. Claro que cada um de nós gosta de uns miminhos, de um telefonema, de um jantar intimo, de um programinha a dois, etc, etc, etc. É também giro poder brincar com os cartões de promessas eternas e mensagens que não passam de intenções mas que elevam o nosso sentimento ao expoente máximo. Mas daí a ser um sufoco ter "Sol." no B.I. e depois ainda vir um 14 de Fevereiro às cavalitas, qual bobo da corte, não há pachorra!!!
Por isso vamos lá namorar muito, durante o ano todo, quer tenhamos uma relação tipificada, quer sejamos "encalhados".
Como diria hoje um amigo meu: "Mais vale encalhado solteiro e poder navegar feliz, do que ser encalhado numa relação que não me leva a lado nenhum!"
"São Valentim ou Saint Valentinus é um santo católico.
Durante o governo do imperador Claudius II, este proibiu a realização de casamentos no seu reino, com o objectivo de formar um grande e poderoso exército. Claudius acreditava que se os jovens não tivessem família, se alistariam com maior facilidade.
No entanto, um bispo romano continuou a celebrar casamentos, mesmo com a proibição do imperador. O seu nome era Valentine e as cerimónias eram realizadas em segredo. A prática foi descoberta e Valentim foi preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens jogavam flores e bilhetes dizendo que ainda acreditavam no amor. Entre as pessoas, que jogaram mensagens ao bispo, estava uma jovem cega: Asterius, filha do carcereiro, e a qual conseguiu a permissão do pai para visitar Valentine. Os dois acabaram por se apaixonar e milagrosamente Asterius recuperou a visão.
(Valentine foi decapitado em 14 de Fevereiro de 270 d.C.)."
Não obstante toda esta lenda, e quer se acredite ou não, é uma história que nos faz viajar no tempo e quem sabe transportar-nos até à importância de celebrarmos o Amor.
Mas aos dias de hoje - não que o S. Valentim esteja em desuso - cada vez mais é uma obrigação, que passa não raras vezes pelo consumismo barato e sem intenção. Arrisco-me mesmo a dizer, que se tornou absolutamente piroso namorar neste dia. Nunca o comemorei como se fosse o objectivo único.
Talvez por isso não o saiba apreciar com a mesma vivacidade que alguns dos meus amigos o revelam. Embora, há precisamente 1 ano, me tenha sido oferecido nesta data uma pulseira exactamente igual à do meu namorado, para assim firmarmos perante os demais que nos pertenciamos (feita por ele... sujeitou-se a que eu tivesse brincado com a sua intenção menos viril...) e uma viagem a Paris.
Confesso, que ao fim de um a dois meses a pulseira ficou presa algures e partiu-se e a viagem a Paris, ficou para outra altura... O que contou foi mesmo a intenção, mas acreditem que teria tido exactamente o mesmo valor se os presentes me tivessem sido dados num outro dia qualquer. Ele foi um amor... mas não por ser o dia dos namorados...
Numa relação, e como habitualmente me habituei a projectar em alguns sensos comuns, faz-me sentido que a tratemos como a uma planta que precisa de ser regada. E portanto, que não seja apenas num único dia do Ano que nos lembremos que a nossa cara-metade existe: "E já agora deixa cá comprar um "bonbonzito" para a animar...".
Que estes momentos sejam brindados, não direi todos os dias, mas com a frequência suficiente para que nos satisfaça, e que quem nos ama sinta (de verdade) que vale a pena.
Hoje, cheguei mesmo a reparar que havia quem corresse para as lojas, ou abdicasse do almoço com os seus amigos, para ir comprar o presente que assinala o dia. Na minha humilde, ou mesmo pretenciosa, opinião prefiro 1000 vezes preparar um jantar trés chic (sim, porque os restaurantes neste dia estão um horror) e uma noite que seja inesquecível, e repetir vezes sem conta estes delírios, para assim ir apimentando cada vez mais o estarmos juntos.
Na outra face da moeda, este dia passou também a ser dedicado aos "encalhados". Nos tempos que correm, e com a vida agitada de um Sec. XXI quase que "inesperado", em que vivemos muito centrados nas nossas carreiras, nos amigos, na casa nova, no cão, nas viagens... e pouco tempo temos a dedicar a uma relação, ou porque ainda não encontramos quem nos faça o clic, ou simplesmente não temos jeito para a coisa, ou mesmo porque não dá, há uma série de preconceitos ainda direccionados para quem não tem "namorado/a", "noivo/a", "marido/mulher".
- "Então o que é que vais fazer hoje?"
- "É um dia chato, não é? Ficas bem, hoje à noite?"
Os "encalhados" são bombardeados com perguntas indiscretas, mas ao mesmo tempo absolutamente inadequadas e despropositadas. Não admira, que quando fazemos uma ligeira pesquisa na Net, haja um sem número de blogs, sites sobre esta "classe". Vi inclusivamente ontem no jornal um anúncio de um restaurante que fazia um programa de jantar e animação para o grupo de "encalhados".
Não me parece mal que já haja este tipo de iniciativas, até para desdramatizar o facto de haver solteiros. Claro que cada um de nós gosta de uns miminhos, de um telefonema, de um jantar intimo, de um programinha a dois, etc, etc, etc. É também giro poder brincar com os cartões de promessas eternas e mensagens que não passam de intenções mas que elevam o nosso sentimento ao expoente máximo. Mas daí a ser um sufoco ter "Sol." no B.I. e depois ainda vir um 14 de Fevereiro às cavalitas, qual bobo da corte, não há pachorra!!!
Por isso vamos lá namorar muito, durante o ano todo, quer tenhamos uma relação tipificada, quer sejamos "encalhados".
Como diria hoje um amigo meu: "Mais vale encalhado solteiro e poder navegar feliz, do que ser encalhado numa relação que não me leva a lado nenhum!"
domingo, 3 de fevereiro de 2008
Desejo-te tanto
Desejo-te tanto, que todos os segundos, minutos e horas do meu dia estão ocupados a pesquisar o teu nome.
Desejo-te tanto, que apenas me perco a relembrar cada gesto que me levou até aos teus braços. Fico paralisada com a memória viva de sentir o teu cheiro, as tuas mãos, o teu corpo.
Desejo-te tanto, que até os assuntos banais são como dádivas que partilhas comigo. A fotografia, a dor, a culpa, o desconforto, o quotidiano...
Desejo-te tanto, que anseio que cada toque de telefone seja o teu, que cada sinal do destino nos faça reencontrar outra vez.
Desejo-te tanto, que gostava que o relógio tivesse parado, ali. Naquele preciso momento em que apenas nós estavamos presentes, e nos encontramos com a mesma intensidade e poder. Naquele momento, em que fomos um do outro, e que o pensamento não interferiu. Apenas o prazer estava lá para testemunhar que nos pertenciamos.
Desejo-te tanto, que tive medo da distância que se colocou à nossa frente e nos separou com um simples "adeus". Que fez com que eu adormecesse fria e perdida e que o sol que se fez sentir no dia seguinte, apenas aquecesse a paisagem.
O vento percorreu toda a minha existência, mas não conseguiu varrer as lágrimas que se apoderarm do meu rosto. Uma e outra teimavam a cair para o infinito. Cada uma a representar um pequeno "ai".
Desejo-te tanto, que não consigo aceitar com leveza esta partida.
Como vou fazer se não tiver o teu cuidado, a tua atenção, a tua sedução? Como vou fazer para sobreviver aos teus olhares já despreocupados, aos teus impulsos controlados?
Vou fingir que também eu não quero saber. Vou defraudar todos os meus valores e fazer acreditar os demais que é mesmo assim...
Desejo-te tanto, que percebo que te tenhas que ir embora, e apoio a tua decisão. Mas lá dentro, bem no fundo, desejo que recues e voltes para mim, para aquele instante e aquele momento de intensa paixão.
Desejo-te tanto, que apenas me perco a relembrar cada gesto que me levou até aos teus braços. Fico paralisada com a memória viva de sentir o teu cheiro, as tuas mãos, o teu corpo.
Desejo-te tanto, que até os assuntos banais são como dádivas que partilhas comigo. A fotografia, a dor, a culpa, o desconforto, o quotidiano...
Desejo-te tanto, que anseio que cada toque de telefone seja o teu, que cada sinal do destino nos faça reencontrar outra vez.
Desejo-te tanto, que gostava que o relógio tivesse parado, ali. Naquele preciso momento em que apenas nós estavamos presentes, e nos encontramos com a mesma intensidade e poder. Naquele momento, em que fomos um do outro, e que o pensamento não interferiu. Apenas o prazer estava lá para testemunhar que nos pertenciamos.
Desejo-te tanto, que tive medo da distância que se colocou à nossa frente e nos separou com um simples "adeus". Que fez com que eu adormecesse fria e perdida e que o sol que se fez sentir no dia seguinte, apenas aquecesse a paisagem.
O vento percorreu toda a minha existência, mas não conseguiu varrer as lágrimas que se apoderarm do meu rosto. Uma e outra teimavam a cair para o infinito. Cada uma a representar um pequeno "ai".
Desejo-te tanto, que não consigo aceitar com leveza esta partida.
Como vou fazer se não tiver o teu cuidado, a tua atenção, a tua sedução? Como vou fazer para sobreviver aos teus olhares já despreocupados, aos teus impulsos controlados?
Vou fingir que também eu não quero saber. Vou defraudar todos os meus valores e fazer acreditar os demais que é mesmo assim...
Desejo-te tanto, que percebo que te tenhas que ir embora, e apoio a tua decisão. Mas lá dentro, bem no fundo, desejo que recues e voltes para mim, para aquele instante e aquele momento de intensa paixão.
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