Porque é tão importante a beleza no seu sentido mais efémero? Porque é que nos deixamos mergulhar nas aparências, e só depois nos preocupamos em agrupar as qualidades por categorias, mais ou menos elaboradas?
Dou por mim a pensar que aspecto gostaria de ter. Porque não sou mais alta, mais loura, com mais curvas? Porque não tenho os olhos azuis, porque é que as minhas pernas não fazem inveja à "Tina Turner", porque é que a minha boca não se assemelha à da Angelina Jolie, e o meu corpo não é o da Giselle Bunchen?
Vivemos muito dependentes daquilo que parecemos, mais do que aquilo que somos.
Eu própria, rendo-me às evidências. Se conheço alguém pela primeira vez, que não num contexto profissional, reparo em tudo. Desde o sapatinho até ao penteado. E quando a pessoa até é simpática, óptimo! Mas o primeiro impacto é a sua presença... e depois o que vier mais tarde, desde que seja bom, "é lucro".
Embora não seja éticamente correcto, é isso que acontece. Está provado cientificamente que o aspecto conta, e que é dele que nascem as primeiras relações interpessoais. Inclusivamente, num estudo feito com bébes, onde lhes foram mostradas fotos com pessoas ditas "bonitas" e pessoas, cujo esteriótipo as conota como "feias", estes revelaram reacções menos positivas quando apresentados ao segundo estímulo (chorar, desviar o olhar...).
Será que desde sempre estamos "programados" a descriminar quem não reúne todos os requisitos da beleza "normativa"?
Não sou técnica em genética, nem nada que se pareça, mas poderá estar o resultado deste estudo (dos bébes) directa ou indirectamente ligado ao que definimos como os bons genes e os maus genes? Sabemos que no mundo animal, o pavão com a melhor penugem é o escolhido pelas fêmeas para acasalar, e assim por diante...
Andamos nós à procura daquele "pavão" porque acreditamos que será melhor para a espécie?
Não me parece. Até porque nem todos gostamos do "amarelo". Por isso a diversidade é tanta que é possível nos permitirmos a ter um leque opcional muitíssimo vasto. E o ser normal nos dias de hoje, pode não querer dizer nada... pode apenas ser um passo para nos dirigirmos a um spa ou a uma clínica e pedir que nos façam um milagre e nos transformem num ícone de atracção. Mas ninguém nos pode garantir que será isso que fará de nós pessoas mais felizes.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
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