domingo, 3 de fevereiro de 2008

Desejo-te tanto

Desejo-te tanto, que todos os segundos, minutos e horas do meu dia estão ocupados a pesquisar o teu nome.
Desejo-te tanto, que apenas me perco a relembrar cada gesto que me levou até aos teus braços. Fico paralisada com a memória viva de sentir o teu cheiro, as tuas mãos, o teu corpo.
Desejo-te tanto, que até os assuntos banais são como dádivas que partilhas comigo. A fotografia, a dor, a culpa, o desconforto, o quotidiano...
Desejo-te tanto, que anseio que cada toque de telefone seja o teu, que cada sinal do destino nos faça reencontrar outra vez.
Desejo-te tanto, que gostava que o relógio tivesse parado, ali. Naquele preciso momento em que apenas nós estavamos presentes, e nos encontramos com a mesma intensidade e poder. Naquele momento, em que fomos um do outro, e que o pensamento não interferiu. Apenas o prazer estava lá para testemunhar que nos pertenciamos.
Desejo-te tanto, que tive medo da distância que se colocou à nossa frente e nos separou com um simples "adeus". Que fez com que eu adormecesse fria e perdida e que o sol que se fez sentir no dia seguinte, apenas aquecesse a paisagem.
O vento percorreu toda a minha existência, mas não conseguiu varrer as lágrimas que se apoderarm do meu rosto. Uma e outra teimavam a cair para o infinito. Cada uma a representar um pequeno "ai".
Desejo-te tanto, que não consigo aceitar com leveza esta partida.
Como vou fazer se não tiver o teu cuidado, a tua atenção, a tua sedução? Como vou fazer para sobreviver aos teus olhares já despreocupados, aos teus impulsos controlados?
Vou fingir que também eu não quero saber. Vou defraudar todos os meus valores e fazer acreditar os demais que é mesmo assim...
Desejo-te tanto, que percebo que te tenhas que ir embora, e apoio a tua decisão. Mas lá dentro, bem no fundo, desejo que recues e voltes para mim, para aquele instante e aquele momento de intensa paixão.

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