quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Ser a "Outra"

Também tenho o meu lado negro da Lua.
Deixei-me envolver numa história menos aceite... Envolvi-me com alguém que já tinha um compromisso. Fui a outra... e fui contra todos os meus princípios.
Afinal, lesamos terceiros que, muitas vezes, desconhecem por completo a "nossa" existência.
Fui levada pelas emoções e por toda a envolvência que foi crescendo ao longo destes meses. Sabia, à partida, que não passaria de uma aventura, e por isso, mais condenável é a minha atitude. Sinto-me culpada e não vejo a minha absolvição.
Sou a ré deste enredo, que mesmo não se tratando de culpa, é um mau-estar grande partilhado com ele...
Ontem tivemos uma noite inesquecível. Só nós contamos. O nosso egoísmo abraçou-nos e deambulou connosco nas horas em que nos dávamos.
Hoje, a dor da traição caiu sobre as nossas consciências. e afastou-nos para sempre. Eu sei que esse seria o caminho esperado, mas quando confrontada com a evidência, quis fugir e por momentos adormecer deste emaranhado em que se tornou a minha vida.
Como posso esquecer os "ontens" acumulados, quando hoje ainda o meu corpo reclama a presença dele? É mais do que atracção de uma "one night stand", é mais do que sexo fortuito, é mais do que um momento de prazer. Para mim é pele, é desejo, é intensidade, é paixão, é até admiração...
O meu corpo ainda hoje sente os efeitos da nossa noite. Tenho as dores consequentes de movimentos compassados e harmoniosos, que nos fizeram transpôr muito para além do instante. Tenho as dores da tensão que só agora parece querer sumir... e a acrescentar tenho a dor da alma, fruto de uma despedida, que eu desconhecia que fosse.
Não consigo distanciar-me o suficiente para perceber que um Adeus tem que ser acompanhado de uma mudança radical, com a desculpa de que é melhor para os dois... atrevo-me então a dizer, que nesse pressuposto será melhor para os três...
Não devia ter deixado isto acontecer. Não devia ter aceite este papel, não devia deixar que ele sofresse. Sim, porque ele está a sofrer, e eu não suporto vê-lo assim. Envergonhado consigo mesmo.
Foi horrível ouvi-lo dizer que lhe apetecia chorar...
Não devia ter sido cúmplice desta traição, porque mesmo não a conhecendo ela não merece. Ninguém merece...
Julgava eu que estava tudo controlado, que eu iria conseguir sobreviver a isto, sem mágoas e sem complexos. Estava tão enganada!!! Nunca controlei nada. Brinquei com os meus sentimentos, e fui fortemente surpreendida. Deixá-lo ir é a solução, mas neste momento, em que me encontro vazia, quem me dera não ser essa a opção.

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